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Atualmente,  pela aumento da ansiedade, observa-se incremento considerável na dificuldade de dormir em todo o mundo. Os distúrbios do sono são muitos e para alguns a Odontologia  pode colaborar se são relacionados à passagem do ar pela boca. São eles: ronco e apneia do sono.

Ronco e apneia do sono tem aumentado devido a muitos fatores, destacando-se estresse, alcoolismo e sobrepeso.

Com técnicas desenvolvidas na odontologia,  somos capazes de colaborar na solução desses distúrbios ao proporcionar um tratamento bastante eficaz pela associação de rapidez, menor desconforto, ótima previsibilidade e custos relativamente baixos quando comparados a terapias não odontológicas.

Distúrbios do sono tratáveis pela odontologia.

1. Ronco

Definição: som gutural, emitido pelos tecidos da garganta quando, sob o estado da atonia característico do sono, ficam sujeitos a vibração, fruto do esforço inspiratório provocado pelo estreitamento das vias da orofaringe. Pode atingir 100 decibéis e fragmentar o sono. Em crianças caracteriza transtorno respiratório.

Escala de graduação de Ronco:

0 pontos: não há ronco;
1- 3: ronco não incomodativo;
4 – 6: ronco incomodativo;
7 – 9: ronco altamente incomodativo;
10: mudança de ambiente.

2. Apneia Obstrutiva do Sono.

São paradas respiratórias superiores a dez segundos, normalmente associadas ao ronco e que podem repetir-se ao ritmo de uma vez ou mais por minuto. Quando associada à sonolência e dessaturação (redução da oxigenação) caracteriza-se a Síndrome da Apneia do Sono. A Odontologia pode tratar casos de apneias leves e moderadas e que não têm causa no sistema nervoso central (apneias centrais), o que significa que poderemos tratar, no NOB, os casos onde a causa  é anatômica, por dificuldade na passagem do ar pela boca.  Essas são  diagnosticadas através de um exame chamado polissonografia e são classificadas como  Apneia Obstrutiva .

Histórico:

• Primeira menção à síndrome: Charles Dickens em seu romance “The Posthmous Papers of the Pickwick Club” datado de 1837;
• William Osler utiliza o termo “Síndrome de Pickwick” para,em 1918, descrever o quadro de obesidade e sonolência diurna ;
• Gaustaut,em 1965, associa a Síndrome de Pickwick a Apnéia obstrutiva;
• 12 milhões de norte-americanos são apneicos;
• 38 mil mortes/ano por distúrbios cardio-vasculares devido à apneia;
• 95% não diagnosticados (National Institute of Health – EUA);
• Acomete 32,8% da população da cidade de São Paulo (Instituto do Sono – Unifesp 2007);
• Acomete cerca de 8 milhões de brasileiros (Fundasono – 2006).

Distúrbios consequentes à Apneia:
Imediatas:

sono fragmentado e não reparador;
sonolência diurna;
deficiência cognitiva;
cansaço;
cefaléia;
sudorese noturna;
irritabilidade.

Mediatas:

hipertensão;
doenças coronarianas;
depressão;
AVC;
impotência;
policitemia;
ganho de peso e colesteromia;
queda do sistema imune;
refluxo gastro-esofágico;
bruxismo.

Outros efeitos da Apneia Obstrutiva

Distúrbios metabólico-hormonais;
Adrenalina e cortisol;
Colerostomia (ac.graxos), policitemia, agregação plaquetária (serot) e vaso constrição = AVC e enfarto;
Queda de O2 = déficit tireoidiano – colerostomia e edema; hipercapnia – dolorimento muscular e edema (ac. lático); Inibição de insulina (hiperglicemia);
Déficit do Sistema Imune (linfócitos,eosinófilos) devido ao sequestro de proteínas e acúmulo de Ac. Graxos nas membranas celulares dificultando a blastogênese.
Menor secreção de testosterona (menos sono REM)= impotência,queda da libido,acúmulo de lípedes;
Maior secreção de HCL e pepsinogênio com maior permeabilidade da mucosa = gastrites e úlceras; Ativação de plasminas pela hipóxia = trombos;
Sono superficial e hipóxia = défict cognitivo,depressão; Sequestro de proteínas= debilidade óssea e musc; Hipóxia (agressão)=bradicinina,histamina=edema e dor;
Alterações hormono-metabólicas e vasculares;
Policitemia: formada a partir da eritropoietina, estimulada pela hipóxia;
Agregação plaquetária: estimulada pela adrenalina (inibe a PGI2) e pela própria se-rotonina (vasoconstritor) secretada pelas plaquetas. Quadro coadjuvado pelo tromboxano (ac.graxos)
Lisoquinases: liberadas pelos leucócitos e endotélio vascular. Ativam plasminas (enzima prot).

Complicações devido a Apneia:

– Hemorragias devido a picos hipertensivos;
– Infecções secundárias devido ao déficit do sistema imune;
– Baixo limiar de dor devido a irritabilidade e stress;
– Dificuldade em manter a boca aberta devido à instabilidade muscular com possíveis cochilos e engasgos seguidos de tosse;
– Efeito anestésico dificultado devido a acidez;
– Hiperatividade em crianças.

Comissão Nacional sobre Distúrbios do Sono (EUA):

– 100 mil acidentes anuais devido à sonolência; 24.308 mortes
– 45% acidentes com veículos comerciais
– Acidentes automobilísticos: US$ 39 bilhões
– Acidentes de trabalho: US$ 13,4 bilhões
– Acidentes públicos: US$ 1,34 bilhões
– Acidentes domésticos: US$ 2,72 bilhões

TOTAL: US$ 56,4 bilhões – Dr. Damien Léger 1988

– 12 milhões de norte-americanos são apneicos
– 38 mil mortes/ano por distúrbios cardiovasculares devido à apnéia.
– 95% não diagnosticados.
(National Health Fundation – EUA).

Dados sobre apneia no Brasil

(Fundasono 2006)

– 8 milhões de brasileiros são apneicos; Presumivelmente 20% são habilitados;
– 1.600.000 apnêicos ao volante.

– 32,8% da população da cidade de São Paulo é apneica (Instituto do Sono – Unifesp 2007);
– 37 mil mortos anualmente (oficialmente); 400 mil feridos (100 mil com deficiências);
– 70 mil mortos (extra oficialmente);
– A sonolência e o cansaço são responsáveis por 25% dos acidentes e 30% das mortes.
– 21 mil mortos devido à sonolência (ONG SOS Estradas – Min. dos Transportes, 2007)
– 26% de 10.101 motoristas de transporte de cargas são de alto risco para a Apneia
– 46.3% de um total de 300 motoristas relatam hipersonolência
– 38% dos motoristas de ônibus em SP são comprovadamente apneicos (Academia Bras. De Ronco e Apnéia, 2007)

Apneia + Bruxismo

Cerca de 40% dos pacientes com Apneia grave apresentam como comorbidade o bruxismo. A mesma relação na ordem de 25% existe para os casos leves e moderados.