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Endodontia

A endodontia é o campo da odontologia que estuda a morfologia da cavidade pulpar, a fisiologia e a patologia da polpa dental, bem como a prevenção e o tratamento das alterações pulpares e de suas repercussões sobre os tecidos periapicais.

POLPA DENTÁRIA – O que é?

A polpa é um tecido conjuntivo frouxo de características especiais que mantém íntimo relacionamento com a dentina que o cerca, constituindo uma unidade funcional designada como complexo dentina-polpa. Ocupando a cavidade central do dente (câmara pulpar e o canal radicular), a polpa comunica-se com o ligamento periodontal (uma das estruturas de suporte do dente) através do forame (pequenos orifícios na raiz do dente) ou forames apicais ainda por meio de eventuais canais laterais, pelos quais passam os elementos vasculares e nervosos.

COMO OCORRE A INFLAMAÇÃO E A MORTIFICAÇÃO PULPAR:

Os dentes compartilham com aproximadamente 500 espécies de bactérias, o microambiente da cavidade bucal. Quando hígidos, o esmalte  e a dentina protegem a polpa. Quando essa proteção é rompida, alguns microorganismos podem chegar até ela.

Embora existam vários caminhos para as bactérias atingirem a polpa, o modo mais freqüente é através da cárie quando, pouco a pouco, elas se aproximam até alcançá-la.

Impotente, o tecido pulpar não consegue impedir a infiltração e a disseminação dos microorganismos ou de seus subprodutos, e porções da polpa começam a desintegrar-se. A necrose é inevitável e há condições favoráveis a uma infecção maciça.

Com a polpa necrosada e a cavidade pulpar completamente contaminada, os produtos tóxicos bacterianos e as substâncias agressivas decorrentes da necrose séptica da polpa terminam por alcançar os tecidos periapicais, originando as periodontites apicais.

Mais de duas centenas de espécies bacterianas já foram isoladas de canais radiculares e a coletânea de microorganismos presentes no sistema de canais radiculares dependerá da disponibilidade de nutrientes, do teor de oxigênio e das interações entre eles.

MORTIFICAÇÃO PULPAR  E  PATOLOGIAS DECORRENTES

1)      PULPITE IRREVERSÍVEL: assintomática ou sintomática, quando a dor está presente, esta é intermitente ou espontânea, onde há rápida exposição a mudanças drásticas de temperatura (frio alivia e quente exacerba a dor), promoverá episódios de dor prolongada e intensa mesmo depois da remoção da fonte da dor.

2)      NECROSE: quando ocorre necrose da polpa (ou polpa não vital), não existe suprimento sanguíneo e os nervos pulpares não estão funcionais. Esta condição é subseqüente à pulpite irreversível sintomática ou assintomática. Na necrose completa e antes que qualquer condição patológica se estenda para o periodonto, o dente é tipicamente assintomático.

DOENÇA PERIAPICAL

1)      PERIODONTITE PERIRRADICULAR: AGUDA – inflamação do periodonto de origem endodôntica, terá uma resposta extremamente dolorosa à pressão da mordida.

PERIODONTITE PERIRRADICULAR CRÔNICA – geralmente não apresenta sintomas clínicos.

2)      ABSCESSO PERIRRADICULAR – dente muito sensível à pressão da mastigação, à palpação. Sensação de dente crescido,  pode existir mobilidade dental.

3)      ABSCESSO FÊNIX  ou FLARE-UP – é denominado secundário ou exacerbado quando a resposta aguda ocorre em uma lesão crônica periodontal apical previamente existente.

4)      TRATAMENTOS ENDODÔNTICOS:

- TRATAMENTOS CONSERVADORES DA POLPA (remoção parcial da polpa);

- TRATAMENTOS RADICAIS (remoção total da polpa);

- TRATAMENTOS CIRÚRGICOS.

No primeiro conjunto  estão o CAPEAMENTO PULPAR, a CURETAGEM PULPAR e a PULPOTOMIA, que têm por objetivo primordial conservar a polpa dental ou parte dela, viva e em condições de exercer suas funções.

Com os tratamentos radicais, a pulpectomia e o tratamento de polpas necrosadas (necropulpectomias) , a endodontia procura manter os dentes cujas polpas, por alguma razão, foram totalmente removidas ou perderam a condição de manter-se com vitalidade.

Os tratamentos cirúrgicos endodontais, só são utilizados quando todas as possibilidades de tratamentos  via canal foram infrutíferas ou impossíveis.  É indicada quando o selamento do terço apical (ponta da raiz) do canal radicular para os tecidos perirradiculares não pode ser alcançado, quando a remoção de uma raiz é requerida para a manutenção do dente em funcionamento, quando há um pino que não pode ser removido ou quando há um diagnóstico duvidoso.

 Perguntas  mais  freqüentes:

1)      QUANDO O TRATAMENTO ENDODÔNTICO (CANAL) ESTÁ INDICADO?

Em casos de alterações dentárias causadas por cáries, fraturas dentárias, traumas dentários, lesões endo-periodontais e outras patologias endodontais.

2)      Por que e para quê o tratamento endodôntico é indicado?

O tratamento endodôntico é indicado para restabelecer a normalidade do dente doente, visando sua manutenção para mastigação, bem como a saúde e harmonia dos tecidos periapicais.

3)      O que é tratamento endodôntico?

É a remoção da polpa dentária (nervos e vasos sanguíneos), que se encontram na parte interna do dente, e sua substituição por material obturador. (Obturação do canal).

4)      Quando é necessária a realização do tratamento endodôntico?

Quando a polpa dentária encontra-se inflamada irreversivelmente, infectada ou necrosada; ou por motivos protéticos.

5)      Quais são os sintomas mais característicos para se indicar o tratamento endodôntico?

Dor espontânea, de forma latejante e que aumenta com o calor. Nesse caso, a polpa ainda está viva, porém inflamada, e o uso de analgésicos não alivia a dor. Já quando há morte da polpa, pode haver sensação de dente crescido e dor ao mastigar. Porém, em alguns casos não há sintomas.

6)      Sempre que o dente dói, deve receber tratamento endodôntico?

Não. Os dentes podem doer por motivos endodônticos, ou por motivos adversos como: respostas dolorosas a qualquer estímulo fora do normal (quente, frio, doce, salgado). Estes sintomas são observados em dentes cariados, em dentes com a raiz exposta devido à retração das gengivas e em dentes submetidos a carga intensa (força durante a mastigação). Nestes casos, removendo-se a causa, cessa a sensibilidade.

7)      Em quantas sessões se faz tratamento endodôntico?

Não há regra geral, cada caso é um caso. Há de se analisar as condições de pulpares de cada paciente bem como a presença ou não de infecções agudas.

8)      O tratamento é muito dolorido?

Com o uso de anestesia, o tratamento é indolor. O tratamento pode ser desconfortável por ser necessário permanecer muito tempo com a boca aberta, com uso de lençol de borracha para isolamento absoluto (para manter o dente em tratamento longe da saliva).

9)      Após as sessões de tratamento, é comum sentir dor?

Nos casos de polpa infectada pode acontecer a dor pós operatória, e nestes casos haverá necessidade de entrar com medicamentos do tipo analgésico, antiinflamatório e/ou antibiótico. Nos demais casos, não. O que pode acontecer nas primeiras 48 a 72 horas é ficar com uma sensação de dor, decorrente do tratamento realizado: aplicação do anestésico  e da manipulação do dente, que pode ser resolvida pela ingestão de analgésicos.

10)    Um dente com o canal tratado pode receber novamente o tratamento endodôntico? Em que situação isso é necessário?

Sim, geralmente quando, no primeiro tratamento, não foi possível seguir  os passos e técnicas corretas para o dente em questão. O que pode ocasionar inflamações crônicas ou agudas(inchaço, dor e pus), lesões periapicais.

11)   Este tratamento é completamente eficiente?

Sim, desde que bem executado e finalizado com restaurações, coroas, tratamento gengival  indicados para o dente tratado endodonticamente.

12)   Sempre que se trata um canal o dente escurece?

Não. O que acontece é perda de água, o que dá um aspecto mais amarelado. O escurecimento acentuado só acontece quando o dente sofre uma hemorragia ou mortificação pulpar antes do tratamento ou por erro técnico.

13)    O que poderá ocorrer se o tratamento endodôntico quando indicado, não for realizado?

Poderá se desenvolver uma lesão na região apical (infecção na raiz e nos tecidos vizinhos), que poderá ter conseqüências mais sérias, como dor intensa, edema (inchaço no rosto), febre e  bacteremia  ( bactérias na corrente sanguínea). A única solução a partir daí poderá ser a extração do dente, ou cirurgia periapical (removendo a ponta da raiz com lesão) associado ao tratamento de canal com objetivo de recuperar o remanescente do dente.

14)   Depois de tratado o canal o que fazer?

Após a conclusão do tratamento endodôntico, seu endodontista irá orientá-lo do procedimento seguinte, que será a restauração do dente em sua forma, função e estética.